segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


Colecionador sorocabano tem 300 aparelhos, de europeus a japoneses

José Antonio Rosa
joseantonio.rosa@jcruzeiro.com.br

Pouca gente sabe, mas o acervo do museu do rádio de Dallas, nos Estados unidos, possui pouco mais de 140 unidades; o colecionador sorocabano Daniel Matucci dispõe de 300. Aos 70 anos, ele, desde criança, teve a paixão despertada pelo equipamento. Daí a começar a colecionar, não demorou tanto tempo. Matucci já visitou vários países a procura de novos itens. Sempre que viaja encontra tempo na agenda para procurar novidades. Alguns modelos do colecionador, inclusive, ilustram a página E2.
Matucci tem guardadas raridades: modelos que começaram a ser comercializados quando as transmissões radiofônicas começaram no país, há 90 anos. Dos tradicionais "capelinhas", (aqueles cujo formato lembram, de fato, uma capela) a outros de origem europeia, passando pelos japoneses utilizados na segunda guerra, Matucci dispõe, seguramente, de uma das mais completas coleções já mantidas por particulares.

Curiosamente, ele nunca quis se dedicar à carreira de radialista; seu interesse está voltado exclusivamente para os aparelhos transmissores. Visitou alguns estúdios, mas quis, mesmo, acumular as peças. Elas estão guardadas em sua casa e numa chácara. Detalhe: quase todos funcionam regularmente. É possível ouvir, e muito bem, a programação hoje transmitida em relíquias que captam o sinal até mesmo sem antena.
Aliás, o diferencial dos rádios antigos é justamente sua potência. Alguns dos aparelhos de Daniel Matucci podem alcançar a frequência de aviões e reproduzem conversas mantidas da cabine. Ele, evidentemente, não faz uso disso. Manter o acervo exige muito do colecionador. Ele pessoalmente dedica-se à limpeza e conservação dos rádios. Todos têm uma apresentação impecável; nem parece que são tão antigos.

Matucci diz que o rádio não desperta o mesmo interesse entre os ouvintes da nova geração. O fenômeno da internet polariza a atenção dos mais jovens e impede que eles conheçam a mídia. "É difícil competir, nos dias de hoje, com as redes sociais e outros recursos oferecidos. Até telefone celular transmite programação de rádio, mas o MP-3 não dá espaço para outras alternativas. O que é uma pena, já que o rádio tem importância fundamental no processo de comunicação", avalia.

Isso talvez explique porque Daniel Matucci não se sente mais à vontade para realizar exposições como as que ocorreram na Biblioteca Infantil. O aparente desestímulo, no entanto, logo deixa de existir quando a data comemorativa se aproxima e ele é procurado para promover eventos que divulguem seu acervo. Nessas horas, a emoção prevalece sobre a razão e Matucci nem se lembra da trabalheira que é remover os aparelhos para outro lugar.

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